Interpreta: Carminho. Cantant i compositora portuguesa, filla de la també cantant de fado Teresa Siqueira, interpreta també altres gèneres com la música popular portuguesa, la música popular brasilera i el jazz.
Composició i lletra: : Jorge Rosa i Raul Ferrão
Lletra:
Escrevi teu nome no vento Convencido que o escrevia Na folha dum esquecimento Que no vento se perdia
Ao vê-lo seguir envolto Na poeira do caminho Julguei meu coração solto Dos elos do teu carinho
Em vez de ir longe levá-lo Longe, onde o tempo o desfaça Fica contente a gritá-lo Onde passa e a quem passa
Pobre de mim, não pensava Que tal e qual como eu O vento se apaixonava Por esse nome que é teu
E quando o vento se agita Agita-se o meu tormento Quero esquecer-te, acredita Mas cada vez há mais vento.
Interpreta: Kátia Guerreiro. Considerada una de les fadistes portugueses més internacionals, el seu fado compta amb una gran riquesa lírica. Al llarg de la seva carrera ha cantat diversos escriptors portuguesos, destacant António Lobo Antunes.
Composició i lletra: : Amália Rodrigues i Carlos Gonçalves
Lletra:
Tenho um amor que não posso confessar Mas posso chorar Amor pecado, amor de amor Amor de mel, amor de flor Amor de fel, amor maior, amor amado
Tenho um amor, amor de dor, amor maior Amor chorado em tom menor Em tom menor maior o fado
Choro a chorar tornando maior o mar Não posso deixar de amar o meu amor em pecado
Fui andorinha que chegou na primavera Eu era quem era Amor pecado, amor de amor Amor de mel, amor de flor Amor de fel, amor maior, amor amado
Tenho um amor, amor de dor, amor maior Amor chorado em tom menor Em tom menor maior o fado Choro a chorar tornando maior o mar Não posso deixar de amar o meu amor em pecado
Fado maior, cantado em tom de menor Chorando um amor de dor Dor de um bem e mal amado.
Interpreta: Dulce Pontes. Canta cançons pop, música tradicional portuguesa (fado inclòs), com també música clàssica. És considerada com una de les millors veus dins el panorama musical portuguès.
Composició i lletra: Francisco Trinidade i Joaquim Brito
Lletra:
Fui bailar no meu batel Além do mar cruel E o mar bramindo Diz que eu fui roubar A luz sem par Do teu olhar tão Lindo
Vem saber se o mar terá razão Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel Não vou ao mar cruel E nem lhe digo aonde eu fui cantar Sorrir, bailar, viver, sonhar contigu
Vem saber se o mar terá razão Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel Não vou ao mar cruel E nem lhe digo aonde eu fui cantar Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo.
Interpreta: Cuca Roseta. Fadista,
compositora i model portuguesa. Considerada una de les veus de més importants
de la nova generació del fado, va aparèixer a principis de la seva carrera a la
pel·lícula Fados dirigida per Carlos Saura.
Títol pel·lícula: “Fados” Any: 2007 Durada: 90 min. Direcció: Carlos Saura Guio: Carlos Saura i Ivan Dias
Repartiment/Música: Mariza, Camané, Carlos Do Carmo, Lila Downs, Caetano Veloso, Miguel Poveda, Chico Buarque de Hollanda, Lura, Toni Garrido.
Fotografia: José Luis López-Linares i Eduard Serra Coproducció Portugal-España; Duvideo, Fado Filmes, Zebra Producciones
Després de "Flamenco" (1995) i "Tango" (1998), Carlos Saura completa el 2005 la trilogia de la cançó urbana moderna amb "Fados".
Després de més de dos anys de recerca sobre el fado, Saura fa un salt important en la seva aproximació al musical. Si en els musicals anteriors, "Iberia", "Flamenco", "Tango" es recolzava en la dansa, a Fados reflecteix el naixement de la música ravalera, portuària, que és en si mateixa una síntesi de totes les músiques nascudes a finals del XIX.
Cançó: “Fado da saudade”
Interpreta: Carlos do Carmo. Representant del millor del fado contemporani també va saber adaptar el fado clàssic a un cert to cosmopolita, a una manera de fer que l'acostava a grans crooners com Tony Bennett o Frank Sinatra, però sense perdre mai la seva essència profunda
Composició i lletra: João Silva Tavares
Lletra:
Eu canto o fado pra mim Abre-me as portas que dão Do coração cá pra fora E a minha dor, sem ter fim Que está naquela prisão Sai da prisão, vai-se embora
Ó minha dor, sem o amargo do teu pranto Não cantava como canto No meu canto amargurado Ó meu amor, que és a dor que eu sofro e choro Afinal, ó dor que adoro, É por ti que eu canto fado!
Eu canto o fado pra mim Já o cantei pra nós dois Mas isso foi no passado Já que assim é, seja assim Já me esqueceste, depois Já cada qual tem seu fado
O mais feliz é o teu, tenho a certeza É o fado da pobreza Que nos leva à felicidade Se Deus o quis, não te invejo essa conquista Porque o meu é mais fadista É o fado da saudade.
Interpreta: Amália Rodrigues. Fadista, cantant i actriu portuguesa, considerada exemple màxim del fado. Està sepultada al Panteó Nacional, entre els portuguesos il·lustres. És coneguda com a la reina del fado.
Composició i lletra: Pedro Homem de Mello, poeta i folklorista.
Lletra:
Povo que lavas no rio Que talhas com o teu machado As tábuas do meu caixão Povo que lavas no rio Que talhas com o teu machado As tábuas do meu caixão Pode haver quem te defenda Quem compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não
Fui ter à mesa redonda Beber em malga que esconda O beijo de mão em mão Fui ter à mesa redonda Beber em malga que esconda O beijo de mão em mão Era o vinho que me deste Água pura, fruto agreste Mas a tua vida não
Aromas de urze e de lama Dormi com eles na cama Tive a mesma condição Aromas de urze e de lama Dormi com eles na cama Tive a mesma condição Povo, povo, eu te pertenço Deste-me alturas de incenso Mas a tua vida não
Povo que lavas no rio Que talhas com o teu machado As tábuas do meu caixão Povo que lavas no rio Que talhas com o teu machado As tábuas do meu caixão Pode haver quem te defenda Quem compre o teu chão sagrado Mas a tua vida não.
Interpreta: Mísia. De pare portuguès i mare catalana, que va treballar com a ballarina de cabaret als seus inicis al Teatre El Molino de Barcelona, fet que explica moltes de les influències que Mísia va rebre en el seu estil musical: tangos, boleros, la fusió de la guitarra amb l'acordió, el violí i el piano. Mísia ha desenvolupat, al llarg de tota la seva carrera, un nou estil de fado basat en l'herència del fado de Amália Rodrigues i l'ús dels instruments musicals tradicionals amb l'acordió o el violí.
Composició i lletra: Alfredo Marceneiro i Torres da Silva
Lletra:
Namorei a tua ausência Por tantas noites vazias Que agora pede a prudência Que eu te ausente dos meus dias.
É que a ausência de ti E uma noite tão escura Que eu não sei sair dali Sem ir à tua procura.
O corpo sente-se ausente Na cama onde não se deita E sabe ou melhor pressente Que a noite não o aceita.
Ai, meu amor, chegou a hora De o Tempo negar o Espaço Em que o corpo se enamora Por ausência ou por cansaço.
No entanto, és sempre tu Sempre que canto o meu fado E quase o teu corpo nu Quase .... quase aqui ao lado.
Tenho a noite por exílio A tua ausência por lei ... Venha o Fado em meu auxílio Ou nunca mais cantarei.
O corpo sente-se ausente Na cama onde não se deita E sabe ou melhor pressente Que a noite não o aceita.
Ai, meu amor, chegou a hora De o Tempo negar o Espaço Em que o corpo se enamora Por ausência ou por cansaço. Ai, meu amor, chegou a hora.
Interpreta: Ana Moura. Reconeguda internacionalment, va iniciar el seu recorregut discogràfic amb Guarda-me a Vida na Mão (2003), gravant després Aconteceu (2005). A més, canta a diversos locals de la nit lisboeta.
Composició i lletra: Jorge Cruz
Lletra:
Manhã na minha ruela, sol pela janela O senhor jeitoso dá tréguas ao berbequim
O galo descansa, ri-se a criança Hoje não há birras, a tudo diz que sim
O casal em guerra do segundo andar Fez as pazes, está lá fora a namorar
Cada dia é um bico d’obra Uma carga de trabalhos faz-nos falta renovar Baterias, há razões de sobra Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga É dia de folga!
Sem pressa de ar invencível, saia, saltos, rímel Vou descer à rua, pode o trânsito parar
O guarda desfruta, a fiscal não multa Passo e o turista, faz por não atrapalhar
Dona laura hoje vai ler o jornal Na cozinha está o esposo de avental
Cada dia é um bico d’obra Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar Baterias, há razões de sobra Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga É dia de folga!
Folga de ser-se quem se é E de fazer tudo porque tem que ser Folga para ao menos uma vez A vida ser como nos apetecer
Cada dia é um bico d’obra Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar Baterias, há razões de sobra Para a tristeza ir de volta e o fado celebrar
Cada dia é um bico d’obra Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar Baterias, há razões de sobra Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga É dia de folga
Interpreta: Gisela João, fadista portuguesa, el 2013 va publicar el seu primer disc “Gisela João” i l’any 2016 el segon “Nua”, una berreja de fados clàssics, tradicionals i obres actuals.
Composició i lletra: Alfredo Duarte i Armando Vieira Pinto
Lletra:
Que destino, ou maldição Manda em nós, meu coração? Um do outro assim perdido Somos dois gritos calados Dois fados desencontrados Dois amantes desunidos
Por ti sofro e vou morrendo Não te encontro, nem te entendo Amo e odeio sem razão Coração... Quando te cansas Das nossas mortas esperanças Quando paras, coração?
Nesta luta, esta agonia Canto e choro de alegria Sou feliz e desgraçada Que sina a tua, meu peito Que nunca estás satisfeito Que dás tudo... E não tens nada
A gelada solidão Que tu me dás, coração Não é vida nem é morte É lucidez, desatino De ler no próprio destino Sem poder mudar-lhe a sorte.
Interpreta: António Zambujo, autor e intèrpret contemporani de la música i la llengua portuguesa, i un del més notables ambaixadores de la mateixa al món.
Composició i lletra: Pedro Luis i Ricardo Cruz.
Lletra:
És musa de beleza sem limites Permites que o poeta em mim não cesse Consentes ao oculto aparecer No tudo que ofereces quando existes.
Beleza assim de musa tal qual trazes Arrebata o tonto olhar de quem avista E arrisca ter a vida Por um fio Mas perco-me num assobio Porque a vida é dela.
És musa de beleza sem limites Permites que o poeta em mim não cesse Consentes ao oculto aparecer No tudo que ofereces quando insistes Em me inspirar.
Aquilo que o teu silêncio explica O destino traz para mim em labaredas Veredas Onde somes da visão Descompassam o coração Mas a vida é bela.
Aquest curs el nostre company Xavier ha conduït un taller sobre Fados; una música que, segons José Pinto Ribeiro de Carvalho ”té un origen marítim, un origen que s'entreveu en el seu ritme ondulant com els moviments cadenciosos de l'onada, gronxant-se com jugant de babord a estribord als vaixells sobre la tovallola líquida florida de fosforescència fugitiva o com anar i venir de les onades colpejant el costat, panteixant com el panteix del Gran Blau descordant la seva túnica orlada de tous encaixats, trist amb els laments fluctuants de l'Atlàntic que convulsiona glauc com a bava de plata, malenconiós com la nostàlgia indefinible de la pàtria absent.”
Aquests dies de juliol compartirem una part de les cançons i les músiques que Xavier va seleccionar per al taller.
Cançó: “Loucura”
Intèrpret: Mariza, una de les veus més populars de Portugal, amb gran projecció internacional.
Composició i lletra: Joaquim Frederico De Brito i Julio Sousa.
Frederico de Brito, o Britinho, - com era més conegut – va ser poeta i compositor d'alguns dels temes més interpretats del fado.
Júlio de Sousa, a més d'il·lustrador de revistes i portades de llibres, dissenyador de vestuari per a teatre, escenògraf, pintor i escultor; també va ser recitador, compositor i poeta, amb diversos llibres de poemes publicats, entre ells: “Joc Perdut” (1956), “Història da Menina Triste”, “Saudade Vai-te Poder” (1963) i “Besé la luna” ( 1965).
Os ofrecemos el trabajo de curso para el taller de música de Mª Carmen Romeo y Gustavo Arias, el cual muestra retazos de la vida de la cantante Billie Holiday, narradas con sus propias palabras en la autobiografía Lady Sings the Blues.
Lady Sings the Blues
Billie Holiday
Traductora: Iris Menéndez
Editorial: Tusquets Editores, 2015
Páginas: 240
Sinopsis de la editorial:
“Las memorias de Billie Holiday, una de las voces femeninas del jazz más emblemáticas.
Cuando Eleanora Holiday, más conocida por Billie, o Lady Day para los amigos, murió en un hospital de Nueva York en 1959, dejaba tras de sí una de las carreras más míticas y deslumbrantes de la historia del jazz. Desde los miserables inicios en Baltimore, los primeros trabajos como criada, el intento de violación a los diez años, la prostitución, la discriminación racial, la drogadicción, los múltiples pleitos y estancias en la cárcel, el engaño por parte de casi todos los hombres que la trataron, su vida aparece jalonada por una serie de episodios que fraguaron su leyenda. Billie Holiday nos cuenta con conmovedora sinceridad en estas memorias —escritas en colaboración con su amigo y pianista William Dufty—, en las que también se revive la más esplendorosa época del jazz en los clubes de Harlem, la radio y los estudios de grabación, las giras maratonianas y las jam-sessions al lado de músicos legendarios como, entre otros, Duke Ellington, Louis Amstrong, Benny Goodman, Count Basie, Lester Young o Artie Shaw.”
Billie Holiday, una vida de abusos, malos tratos y drogas
por Rocío Ayuso
El País, 02/12/2018
Antes de morir, la cantante dejó una autobiografía en la que detalla lo duro que fue crecer como una mujer negra
“La voz de Billie Holiday es inolvidable. Lo mismo ocurre con la vida de Lady Jazz. La cantante falleció en 1959 a los 44 años, víctima de una vida rota y adicta a las drogas. Pero tres años antes de su muerte dejó escrito uno de sus legados más poderosos, una autobiografía que titulaba Lady Sings the Blues. A través de este escrito, la intérprete detalla con sus propias palabras los abusos y vejaciones sufridas, sus problemas con la heroína y lo duro que fue crecer como mujer negra en un Estados Unidos racista y segregada. Como la dama del jazz dice en el libro: “Nadie entona la palabra hambre como yo o canta como yo la palabra amor”.
El volumen, publicado hace más de 60 años, acaba de ser reeditado por la casa editorial Penguin en su colección de clásicos modernos. Una joya para los amantes del buen jazz que da pie al recuerdo de muchas de las anécdotas y vivencias de la intérprete de Summertime. El libro también sirve de recordatorio de algunas de las incorrecciones narradas por la cantante en este volumen. Como han recordado a lo largo de estos años muchos de los biógrafos de esta voz turbulenta y conmovedora, Lady Sings the Blues es un libro lleno de mentiras.
Billie Dove
No hay que adentrarse mucho en sus páginas para encontrar imágenes que no concuerdan del todo con la realidad de Billie Holiday aunque estén cargadas del mismo dramatismo que marca su música. Un ejemplo es la primera descripción que ofrece en el libro de su familia: “Mis padres eran un par de críos cuando se casaron. Él tenía 18 años; ella, 16, y yo 3”. Entre las inconsistencias de ese simple párrafo está el hecho de que los padres de Holiday nunca se casaron. Ni tan siquiera vivieron bajo el mismo techo. Su madre, Sadie, tenía 19 años cuando dio a luz en Filadelfia a Eleanora Fagan, su nombre de pila. Solo años más tarde la hija ilegítima recibiría el nombre de su padre, el guitarrista Clarence Holiday. El nombre de Billie se lo apropió más tarde de su actriz favorita, la glamorosa Billie Dove, de los tiempos del cine mudo.
Como argumentó hace unos años el crítico literario Jesse Hamlin, Lady Sings the Blues “puede que esté lleno de mentiras, pero llega al corazón del jazz”. El volumen está escrito en base a las conversaciones que mantuvo Holiday con el periodista William Dufty, casado con una de las mejores amigas de la cantante. Y aunque algunos de los detalles sean incorrectos, quizá dramatizados en un libro con el que Holiday quería conseguir dinero fácil en uno de sus muchos momentos de penuria económica, la carrera de esta diosa de la música es irrefutable, tanto en lo que se refiere a su voz como a su vida.
La autobiografía de la cantante —llevada a la pantalla en 1972 con Diana Ross como protagonista—, recuerda a sus canciones. A temas como Strange Fruit, que hablan de miseria y desamor; o a My Man, que habla con dolor y sin aparente escapatoria de la violencia de género mucho antes de que se acuñara el término. Lady Sings the Blues también habla de una infancia al cargo de familiares o conocidos en la que fue violada cuando tenía solo 10 años, y de una adolescencia donde las cosas no mejoraron.
Son muchas más las biografías que existen de Holiday. Este mismo año se publicó Religion Around Billie Holiday, un volumen escrito por Tracy Fessenden que se centra en la influencia de la religión en una artista que, como aseguran quienes la conocieron, había que lavarle la boca con jabón de los muchos improperios que soltaba cada vez que hablaba. Fessenden describe a lo largo de 280 páginas lo mucho que influyó en la carrera de la cantante su paso por el reformatorio católico The Good Shepherd —fue el único lugar donde recibió formación musical— , y la influencia que tuvo sobre la artista el judaísmo practicante de muchos de sus compañeros en los tiempos del Tin Pan Alley (la factoría de canciones que dominó el mercado musical durante la primera mitad del siglo XX).
Pero a juzgar por la reedición de su autobiografía son las propias palabras de la voz del jazz las que siguen cautivando, más allá de la veracidad de sus detalles. Según recordó el crítico de la revista The New Yorker Richard Brody, el libro que ahora vuelve a las librerías dejó fuera dos importantes relaciones de la cantante, esa que la unió al actor Charles Laughton o la que supuestamente mantuvo con la actriz Tallulah Bankhead, conocida por ayudar a numerosas familias españolas a escapar de la Guerra Civil. En Lady Sings the Blues, Holiday tampoco entra en detalle sobre su amorío con Orson Welles cuando este rodaba Ciudadano Kane. Nombres, estos y otros, que la acompañaron toda la vida, aunque a su muerte, en un hospital de Nueva York víctima de cirrosis y arrestada por consumo de drogas, junto a ella solo se encontraba su perro.”
"Poesia de dimensions novel·lesques, èpica moderna i postmoderna, mirada desbocada i, justament per això, meravellosa, en un temps en què tot ha de seguir uns patrons correctes, estables i prefixats."
Lluís Calvo (del pròleg)
La poeta:
Laia Noguera i Clofent (Calella, 1983), filòloga, poeta, dramaturga, traductora i músic, ha publicat els llibres de poesia L’oscultor (premi Amadeu Oller 2002 publicat per Galerada el 2002), Fuga evasió (premi Recull 2003, publicat per Pagès Editors el 2004), Incendi (Cafè Central, 2005), No et puc dir res (premi Martí Dot 2006, publicat per Viena el 2007), Els llops (La Garúa, 2009; escrit a sis mans amb Esteve Plantada i Joan Duran), Triomf (premi Miquel de Palol 2009, publicat per Columna), L’U (Arola Editors, 2010; amb fotografies de Fiona Morrison); Parets (Edicions 96, 2011; Caure (XLIX premi Ausiàs March de Gandia 2011. Edicions 62, 2011); Rius soterrats. (Petjades d'Art, 2011); Ah!.( Edicions Poncianes, 2013); Amargord (Ediciones, 2015); Qué extraña ventana. (La Garúa poesía, 2016); Amor total. (Tanit, 2016); De rerum natura (amb Maria Espeus). (Pagès Editors, 2019); L'intrús. (IV premi Concurs de Poesia Narcís Lunes i Boloix 2019 Editorial Meteora, 2020). També ha publicat l’adaptació teatral (feta juntament amb Albert Mestres) de La Disputa de l’ase, d’Anselm Turmeda (ReMa 12, 2009).
El músic:
Miles Davis (1926-1991) va ser un trompetista de jazz i compositor de música. Va ser un dels músics més cobejats del segle XX, conegut per experimentar amb la música de jazz al llarg de tota la seva carrera. Milers va ser considerat com el pioner de la fusió jazz-rock, ja que va ser el primer músic a barrejar música rock amb jazz tradicional. Encara que la seva música experimental li va valer molts crítics a la indústria, Miles és recordat per la majoria dels amants de la música per les seves atrevides innovacions. Al llarg de la seva carrera, que inclou cinc dècades, Miles va treballar amb molts noms famosos i encara avui se'l considera una icona del jazz i una inspiració per a tots els músics que s'atreveixen a pensar i actuar de manera diferent.
Os presentamos un nuevo trabajo del taller de música, en este caso el propuesto por nuestro compañero Andrés.
Para el mismo, ha elegido un fragmento del cuento de Julio Cortázar “El Perseguidor”, publicado en 1959, un particular homenaje del autor de Rayuela al genial saxofonista Charlie Parker.
El resultado: uno de los cuentos más innovadores y conocidos de la literatura hispanoamericana del XX. Se trata de un relato breve y que cuenta con un ritmo parecido al del jazz y una historia metafísica que habla sobre el tiempo y sobre la persecución.
El resultado final del trabajo se ha logrado, comenta nuestro compañero, gracias a la insustituible ayuda técnica de Xavier Martorell.
Por último, Andrés nos indica que añadamos estás palabras del autor argentino sobre el jazz:
“... el jazz es como un pájaro que migra o emigra o inmigra o transmigra, salta barreras, burla aduanas, algo que corre y se difunde y esta noche en Viena está cantando Ella Fitzgerald mientras en París Kenny Clarke inaugura una cave y en Perpignan brincan los dedos de Oscar Peterson, y Satchmo por todas partes con el don de ubicuidad que le ha prestado el Señor, en Birmingham, en Varsovia, en Milán, en Buenos Aires, en Ginebra, en el mundo entero, es inevitable, es la lluvia y el pan y la sal, algo absolutamente indiferente a los ritos nacionales, a las tradiciones inviolables, al idioma y al folklore: una nube sin fronteras, un espía del aire y del agua, una forma arquetípica, algo de antes, de abajo, que reconcilia mexicanos con noruegos y rusos y españoles, los reincorpora al oscuro fuego central olvidado, torpe y mal y precariamente los devuelve a un origen traicionado, les señala que quizá había otros caminos y que el que tomaron no era el único y no era el mejor, o que quizá había otros caminos y que el que tomaron era el mejor, pero que quizá había otros caminos dulces de caminar y que no los tomaron, o los tomaron a medias, y que un hombre es siempre más que un hombre y siempre menos que un hombre, más que un hombre porque encierra eso que el jazz alude y soslaya y hasta anticipa, y menos que un hombre porque de esa libertad ha hecho un juego estético o moral, un tablero de ajedrez donde se reserva ser el alfil o el caballo, una definición de libertad que se enseña en las escuelas, precisamente en las escuelas donde jamás se ha enseñado y jamás se enseñará a los niños el primer compás de un ragtime y la primera frase de un blues, etcétera, etcétera.
I could sit rigt here and think a thousand miles away
I could sit rigt here and think a thousand miles away
Since I had the blues this bad, I can’t remember the day…
Juan Ramón Jiménez (Moguer, Huelva, 23/12/881
– San Juan, Puerto Rico, 29/05/1958, estudió en la Universidad de Sevilla, pero
abandona Derecho y Pintura para dedicarse a la literatura influenciado por
Rubén Darío y los simbolistas franceses.
Tiene varias
crisis de neurosis depresiva y permanece ingresado en Francia y en Madrid; en
esta ciudad se instala definitivamente.
Realiza viajes
a Francia y a Estados Unidos, donde se casa en 1916 con Zenobia Camprubí.
En 1936, al
estallar la Guerra Civil, se exilia a Estados Unidos, Cuba y Puerto Rico. En
este último país recibe la noticia de la concesión del Premio Nobel de
Literatura en 1956.
La crítica suele dividir su
trayectoria poética en tres etapas:
Etapa
sensitiva (1898-1915): marcada por la influencia de Bécquer, el Simbolismo y el Modernismo. En ella predominan las
descripciones del paisaje, los sentimientos vagos, la melancolía, la música y
el color, los recuerdos y ensueños amorosos. Se trata de una poesía emotiva y
sentimental donde se trasluce la sensibilidad del poeta a través del
perfeccionismo de la estructura formal.
Etapa
intelectual (1916-1936): descubrimiento del mar como motivo trascendente. El
mar simboliza la vida, la soledad, el gozo, el eterno tiempo presente. Se
inicia, asimismo, una evolución espiritual que lo lleva a buscar la
trascendencia. En su deseo de salvarse ante la muerte se esfuerza por alcanzar
la eternidad a través de la belleza y la depuración poética.
Etapa
verdadera (1937-1958): todo lo escrito durante su exilio americano.
Fuente: Instituto Cervantes
Primavera y
sentimiento
(poema
completo)
Estos crepúsculos tibios
son tan azules, que el alma
quiere perderse en las brisas
y embriagarse con la vaga
tinta inefable que el cielo
por los espacios derrama,
fundiéndola en las esencias
que todas las flores alzan
para perfumar las frentes
de las estrellas tempranas.
Los pétalos melancólicos
de la rosa de mi alma,
tiemblan, y su dulce aroma
(recuerdos, amor, nostalgia),
se eleva al azul tranquilo,
a desleirse en su mágica
suavidad, cual se deslíe
en un sonreír la lágrima
del que sufriendo acaricia
una remota esperanza.
Está desierto el jardín;
las avenidas se alargan
entre la incierta penumbra
de la arboleda lejana.
Ha consumado el crepúsculo
su holocausto de escarlata,
y de las fuentes del cielo
(fuentes de fresca fragancia),
las brisas de los países
del sueño, a la tierra bajan
un olor de flores nuevas
y un frescor de tenues ráfagas…
Los árboles no se mueven,
y es tan medrosa su calma,
que así parecen mas vivos
que cuando agitan las ramas;
y en la onda transparente
del cielo verdoso, vagan
misticismos de suspiros
y perfumes de plegarias.
¡Qué triste es amarlo todo
sin saber lo que se ama!
Parece que las estrellas
compadecidas me hablan;
pero como están tan lejos,
no comprendo sus palabras.
¡Qué triste es tener sin flores
el santo jardín del alma,
soñar con almas floridas,
soñar con sonrisas plácidas,
con ojos dulces, con tardes
de primaveras fantásticas!…
¡Qué triste es llorar, sin ojos
que contesten nuestras lágrimas!
Ha entrado la noche; el aire
trae un perfume de acacias
y de rosas; el jardín
duerme sus flores… Mañana,
cuando la luna se esconda
y la serena alborada
dé al mundo el beso tranquilo
de sus lirios y sus auras,
se inundarán de alegría
estas sendas solitarias;
vendrán los novios por rosas
para sus enamoradas;
y los niños y los pájaros
jugarán dichosos… ¡Almas
de oro que no ven la vida
tras las nubes de las lágrimas!
¡Quién pudiera desleirse
en esa tinta tan vaga
que inunda el espacio de ondas
puras, fragantes y pálidas!
¡Ah, si el mundo fuera siempre
una tarde perfumada,
yo lo elevaría al cielo
en el cáliz de mi alma!
Rimas (1902)
“Este largo romance, que Juan Ramón escribió en el retiro de
Burdeos, para su composición, escoge el momento cambiante del crepúsculo («Ha
consumado el crepúsculo / su holocausto de escarlata»), vinculado al rito
sacrificial en que la sangre aparece como vehículo de la vida. Visto así el
poema, hay un tránsito de la tristeza («¡Qué triste es amarlo todo / sin saber
lo que se ama!») a la esperanza («¡Ah, si el mundo fuera siempre / una tarde
perfumada, / yo lo elevaría al cielo / en el cáliz de mi alma!»), de la muerte
a la inmortalidad. Valiéndose del romance octosilábico, el poeta crea un ambiente
elegiaco y misterioso («Está desierto el jardín»), donde el yo lírico se siente
dominado por una infinita tristeza, tal vez debida a la imposibilidad del amor,
en la que se refugia para afirmar su singularidad. La tristeza deviene así
soledad creadora, cuya naturaleza efímera nos hace renunciar a lo inmediato
para buscar lo esencial. A la hora de componer el romance, Juan Ramón tuvo en
cuenta los poemas «Está la noche serena», de Espronceda; «Sobre el corazón la mano», de Bécquer; y «Primaveral», de Rubén
Darío, en los que se percibe el deseo de un amor juvenil y su imposible
realización, de manera que los recursos utilizados por el poeta andaluz, como
la marca subjetiva de la exclamación a partir de un mismo núcleo oracional
(«¡Qué triste es») o el carácter explicativo del paréntesis, «(fuentes de
fresca fragancia)»; el valor determinativo de los adjetivos («crepúsculos
tibios», «vaga tinta inefable», «pétalos melancólicos», «dulce aroma», «mágica
suavidad», «remota esperanza», «incierta penumbra», «tenues ráfagas», «cielo verdoso»,
«almas floridas», «primaveras fantásticas», «beso tranquilo», «sendas
solitarias», «ondas puras, fragantes y pálidas», «tarde perfumada»), que
alteran la significación del sustantivo y ponen de relieve una cualidad
escogida por el hablante; y los símbolos de la rosa («la rosa de mi alma»), el
jardín («el santo jardín del alma») y el cáliz («el cáliz de mi alma»), que
inciden en una misma realidad anímica, confieren todos ellos un tono
melancólico al poema, expresión de la ausencia de un ideal a realizar, pues el
melancólico se refugia en su yo para ver realizados sus sueños. Lejos de
hundirse en la desesperanza, signo de aceptada resignación, el melancólico se
funde aquí con el paisaje y su alma, elevándose hasta el azul, deja entrever
una armonía plena del sentimiento amoroso. En este sentido, la verdadera
melancolía es activa, pues busca liberarse del pasado («recuerdos, amor,
nostalgia») para construir un futuro mejor («se inundarán de alegría / estas
sendas solitarias»). Sólo el individuo fundido con la naturaleza («una tarde
perfumada») puede acceder a la inmortalidad («¡Almas / de oro que no ven la
vida / tras las nubes de las lágrimas!»), realizar el sueño del amor completo.
Para superar la melancolía amorosa, es necesario abrirse a los demás, lograr la
armonía universal sin renunciar a lo privado.”
El viaje de supervivencia de un niño de diez años por media Europa. Un
relato basado en una historia real. Conmovedor y de gran actualidad. A causa de
la entrada de los talibanes, Enaiatollah es empujado por su madre a abandonar
su pueblo. Así comienza la travesía de Enaiatollah a través de Pakistán, Irán,
Turquía, Grecia e Italia, un viaje autobiográfico que durará cinco años. El
hogar de Enaiatollah, un joven de diez años, fue invadido a comienzos del
milenio por un pueblo extranjero. De esta forma, se ve obligado a escapar
acompañado de su madre para asegurar su supervivencia. Pero su madre tan solo
puede acompañarlo hasta la frontera con Pakistán, donde lo deja a su suerte.
A partir de ese momento la vida de Enaiatollah se convirtió en una huida
casi continua. Hubo momentos de pesadilla, situaciones que no deberían ocurrir
ni siquiera en la ficción, y momentos de relativa calma. En los años siguientes
conoció a gente corrupta, cruel, que se aprovechó de su situación desventajosa;
a gente que pudo haberle ayudado pero no lo hizo porque también ellos vivían
atemorizados, y a gente buena, que le ayudó muchísimo.
En el mar hay cocodrilos es fruto de las conversaciones entre Enaiatollah y
Fabio Geda, que ha hecho un excelente trabajo al convertir los recuerdos de
Enaiatollah en una historia de superación que llega directa al lector. Contada
con humor y humanidad, esta novela transmite brillantemente la voz comprometida
y cercana de su protagonista, que le otorga la importancia que se merece a una
historia épica de esperanza y supervivencia.
Fabio Geda:
Fabio Geda nació en 1972 en Turín, donde vive. Trabaja con menores en
riesgo de exclusión social y como animador cultural.
Por deseo de Geda, la mitad de la retribución por los derechos de autor del
libro es para Enaiatollah, protagonista de la historia.
En cordiales versos romanceados, los únicos
de El rayo que no cesa, ensaya Miguel –nos referimos al poema Carta–
dramáticas y humanísimas reflexiones sobre la comunicación epistolar. Con el
teléfono y el ordenador hemos perdido el placer de escribir y recibir
epístolas, pero por aquellos años de los trenes-correo y carteros voceando
nombres en patios, cuarteles o trincheras, eran las cartas el pan del cariño en
la distancia (Tus cartas son
un vino), el vino apasionado y generoso:
El palomar de las cartas
abre su imposible vuelo
desde las trémulas mesas
donde se apoya el recuerdo,
la gravedad de la ausencia,
el corazón, el silencio.
Oigo un latido de cartas
navegando hacia su centro.
Donde voy, con las mujeres
y con los hombres me encuentro,
malheridos por la ausencia
desgastados por el tiempo.
Cartas, relaciones, cartas:
tarjetas postales, sueños,
fragmentos de la ternura,
proyectados en el cielo,
lanzados de sangre a sangre
y de deseo a deseo.
La bella metáfora carta/paloma las
equipara en blancura y diseño (con las dos alas
plegadas...), símbolos de paz en milenario
vuelo de mensajería.Oigo un
latido de cartas: un
pedazo de corazón viaja –fragmentos de la
ternura– en el sobre. Malheridos por la ausencia: ¿Quién como Miguel para expresar ausencias, soledades, despojos?
Aunque bajo la tierra
mi amante cuerpo esté,
escríbeme a la tierra,
que yo te escribiré.
El
estribillo, que da unidad y sangre a todo el texto, nos recuerda que estamos en
guerra. Curiosamente nacen estos versos de un poemita del Miguel recién
enamorado (Tus cartas son un vino),que dedica A mi
gran Josefina adorada.
Escribía
ya entonces: "Aunque bajo la tierra / mi amante cuerpo esté, /
escríbeme, paloma, / que yo te escribiré".
Subraya
ahora el tema de la tierra, desarrollado en Madre
España:"Tierra:
tierra en la boca, y en el alma, y en todo. / Tierra que voy comiendo, que al
fin ha de tragarme. / Con más fuerza que antes, volverás a parirme,
madre..."
En este
poema establece una suerte de Comunidad de los Santos con todos los muertos.
(Se habla, en católico, de Iglesia militante, purgante y triunfante como
vínculo espiritual entre vivos y difuntos.)"Decir
madre es decir tierra que me ha parido; / es decir a los muertos: hermanos,
levantarse; / es sentir en la boca y escuchar bajo el suelo / sangre."
El 14 de
mayo de 1936 declara su loco amor: "Hasta la tuya que espero con
ansia, sabes que te quiere y te querrá siempre, Miguel, que no podrá olvidarte
ni aunque le corten la cabeza..."Y el 8 de
abril de 1940:"Si no fuera porque deja uno de querer en cuanto se
muere, me moriría por lo barato que se está en la tierra."
No perdamos fuego y recobremos
las termales aguas del poemaCarta:
En
un rincón enmudecen cartas viejas, sobres
viejos,
con el color de la edad
sobre la escritura puesto.
Allí perecen las cartas
llenas de estremecimientos.
Allí agoniza la tinta
y desfallecen los pliegos,
y el papel se agujerea
como un breve cementerio
de las pasiones de antes,
de los amores de luego.
Aunque bajo la tierra
mi amante cuerpo esté,
escríbeme a la tierra,
que yo te escribiré.
El hilo
umbilical que mantuvo en esperanza al poeta de la revolución en su turismo
carcelario (soy un preso turista), fue
sin duda la correspondencia con su mujer, que sólo podía echar al correo un día
por semana y con censura –lápiz azul que sentenciaba a papelera las epístolas
largas–. Claro que cabía el recurso de escribir con el nombre de algún preso
sin familia. La correspondencia de Miguel, excelentemente editada en Espasa
Calpe, puede decepcionar al historiador o crítico documentalista, pero no al
lector con alma, zahorí de corazones.
Recuerda
el poeta este rimero de cartas viejas con el color de la edad / sobre la
escritura puesto, cementerio de las pasiones de antes, / de los
amores de luego... Un amor que no cesa
por Josefina y su Manolillo.
Cuando te voy a escribir
se emocionan los tinteros:
los negros tinteros fríos
se ponen rojos y trémulos,
y un claro calor humano
sube desde el fondo negro.
Cuando te voy a escribir,
te van a escribir mis huesos:
te escribo con la imborrable
tinta de mi sentimiento.
Allá va mi carta cálida,
paloma forjada al fuego,
con las dos alas plegadas
y la dirección en medio.
Ave que sólo persigue,
para nido y aire y cielo,
carne, manos, ojos tuyos,
y el espacio de tu aliento.
Y te quedarás desnuda
dentro de tus sentimientos,
sin ropa, para sentirla
del todo contra tu pecho.
Aunque bajo la tierra
mi amante cuerpo esté,
escríbeme a la tierra,
que yo te escribiré.
Miguel/barro
escribe cuerpo a cuerpo, sangre a sangre(Te
van a escribir mis huesos...), una cálida
carta, "ave que sólo persigue... / carne, manos, ojos tuyos / y
el espacio de tu aliento..."
Se emocionan los tinteros: el panteísmo del cabrero
oriolano pone espíritu en todo lo que le rodea, como los primitivos pueblos
africanos. Y te quedarás desnuda:la carta
es mano, boca, latido del corazón de Miguel.
Fechada
en Amor,
23 de junio de 1936, comenta un escrito de
Josefina en el que ella le informaba que había recibido su carta descansando en
la cama.
Escribe
con picardía el amante: "Se lo decía a todas las cartas cuando las echaba y por
fin una ha logrado cogerte desprevenida, porque a lo mejor te ha pillado hasta
sin camisa. ¡Qué gusto, nena mía de mi alma, y qué susto para ti si voy yo
metido y escondido en un rincón de la carta y salgo y te veo tal como estarías
cuando tú te pusieras a leerla! De pensarlo nada más me dan escalofríos..."
Ayer se quedó una carta
abandonada y sin dueño,
volando sobre los ojos
de alguien que perdió su cuerpo.
Cartas que se quedan vivas
hablando para los muertos:
papel anhelante, humano,
sin ojos que puedan serlo.
Mientras los colmillos crecen,
cada vez más cerca siento
la leve voz de tu carta
igual que un clamor inmenso.
La recibiré dormido,
si no es posible despierto.
Y mis heridas serán
los derramados tinteros,
las bocas estremecidas
de rememorar tus besos,
y con su inaudita voz
han de repetir: te quiero.
Y regresamos
a los colmillos y la sangre de El hombre acecha. En el borrador de este
poema se leía: "Fieras peores que fieras / también fieras nos han hecho
/ y acabarán con nosotros / si no acabamos con ellos." El poeta enamorado
(vate universal) hace suyas las cartas de los muertos, y redacta su propio
epitafio para la amada: Te quiero. Amor que vence al tiempo y
al espacio.
Carta
El palomar de las cartas
abre su imposible vuelo
desde las trémulas mesas
donde se apoya el recuerdo,
la gravedad de la ausencia,
el corazón, el silencio.
Oigo un latido de cartas
navegando hacia su centro.
Donde voy, con las mujeres
y con los hombres me encuentro,
malheridos por la ausencia,
desgastados por el tiempo.
Cartas, relaciones, cartas:
tarjetas postales, sueños,
fragmentos de la ternura
proyectados en el cielo,
lanzados de sangre a sangre
y de deseo a deseo.
Aunque bajo la tierra
mi amante cuerpo esté,
escríbeme a la tierra,
que yo te escribiré.
En un rincón enmudecen
cartas viejas, sobres viejos,
con el color de la edad
sobre la escritura puesto.
Allí perecen las cartas
llenas de estremecimientos.
Allí agoniza la tinta
y desfallecen los pliegos,
y el papel se agujerea
como un breve cementerio
de las pasiones de antes,
de los amores de luego.
Aunque
bajo la tierra mi amante cuerpo esté, escríbeme a la tierra, que yo te escribiré.
Cuando te voy a escribir
se emocionan los tinteros:
los negros tinteros fríos
se ponen rojos y trémulos,
y un claro calor humano
sube desde el fondo negro.
Cuando te voy a escribir,
te van a escribir mis huesos:
te escribo con la imborrable
tinta de mi sentimiento.
Allá va mi carta cálida,
paloma forjada al fuego,
con las dos alas plegadas
y la dirección en medio.
Ave que sólo persigue,
para nido y aire y cielo,
carne, manos, ojos tuyos,
y el espacio de tu aliento.
Y te quedarás desnuda
dentro de tus sentimientos,
sin ropa, para sentirla
del todo contra tu pecho.
Aunque bajo la tierra
mi amante cuerpo esté,
escríbeme a la tierra,
que yo te escribiré.
Ayer se quedó una carta
abandonada y sin dueño,
volando sobre los ojos
de alguien que perdió su cuerpo.
Cartas que se quedan vivas
hablando para los muertos:
papel anhelante, humano,
sin ojos que puedan serlo.
Mientras los colmillos crecen,
cada vez más cerca siento
la leve voz de tu carta
igual que un clamor inmenso.
La recibiré dormido,
si no es posible despierto.
Y mis heridas serán
los derramados tinteros,
las bocas estremecidas
de rememorar tus besos,
y con su inaudita voz
han de repetir: te quiero.